M Glossário

Magnetismo

Entenda o magnetismo no Espiritismo: a energia vital usada nos passes e curas espirituais, sua história desde Mesmer e a aplicação nos centros espíritas.

O magnetismo, no contexto da Doutrina Espírita, refere-se à energia vital que todo ser humano possui e que pode ser transmitida de um indivíduo a outro com fins terapêuticos e espirituais. Esse conceito, que encontra suas raízes nos trabalhos de Franz Anton Mesmer no século XVIII, foi incorporado e reinterpretado por Allan Kardec como parte integrante da teoria espírita dos fluidos. O magnetismo é a base teórica do passe espiritual, da irradiação e de diversas práticas de cura espiritual realizadas nos centros espíritas.

Definição e Fundamentos

O magnetismo pode ser definido como a capacidade que todo ser encarnado possui de exteriorizar parte de seu fluido vital e dirigi-lo a outro ser, com o objetivo de restaurar o equilíbrio energético, aliviar dores, combater doenças e promover o bem-estar físico e espiritual. Kardec distingue três tipos de magnetismo em A Gênese:

Magnetismo humano ou animal: é a energia produzida e emitida pelo próprio organismo do magnetizador, sem a intervenção direta de espíritos. Esse tipo de magnetismo depende essencialmente da vontade e da saúde do emissor, e seus efeitos, embora reais, são limitados ao potencial energético do indivíduo.

Magnetismo espiritual: ocorre quando o magnetizador serve como canal para a transmissão de fluidos de origem espiritual. Nesse caso, os espíritos benfeitores utilizam o magnetizador como intermediário, potencializando sua ação com fluidos de natureza superior. Este é o tipo de magnetismo mais frequente nos passes espíritas.

Magnetismo misto: é a combinação dos dois anteriores, onde os fluidos do magnetizador se mesclam com os fluidos fornecidos pelos espíritos. Na prática, a maioria dos passes espíritas envolve esse magnetismo misto.

Contexto Histórico: De Mesmer a Kardec

A história do magnetismo moderno começa com Franz Anton Mesmer (1734-1815), médico alemão que propôs a existência de um fluido universal, por ele chamado de “magnetismo animal”, que permearia todos os seres e cuja manipulação poderia restaurar a saúde. Mesmer desenvolveu técnicas de imposição de mãos e de uso de “passes” magnéticos que produziram resultados terapêuticos impressionantes, embora contestados pela medicina oficial de sua época.

Após Mesmer, diversos pesquisadores aprofundaram o estudo do magnetismo. O Marquês de Puységur descobriu o sonambulismo magnético — um estado de consciência alterada induzido pelo magnetismo — que seria precursor dos estudos sobre hipnose. Charles de Hénin de Cuvillers, o Barão du Potet e outros pesquisadores continuaram os estudos ao longo do século XIX.

Kardec, que tinha sólida formação científica, conhecia bem os trabalhos de Mesmer e seus seguidores. Ao codificar o Espiritismo, ele integrou o magnetismo à doutrina dos fluidos, explicando que os fenômenos magnéticos observados pelos pesquisadores tinham tanto uma componente humana quanto uma componente espiritual. Em O Livro dos Médiuns e em A Gênese, Kardec demonstrou que o magnetismo era um instrumento natural, regido por leis compreensíveis, e que sua prática era legítima quando orientada por boas intenções e conhecimento adequado.

O Magnetismo em A Gênese

Em A Gênese, Kardec dedica atenção especial ao estudo dos fluidos e do magnetismo. Ele estabelece que o fluido cósmico universal é a matéria primitiva de tudo o que existe e que todas as formas de energia — incluindo o magnetismo — são modificações desse fluido.

Kardec explica que o pensamento humano é capaz de modificar as propriedades do fluido vital, carregando-o com qualidades benéficas ou maléficas conforme a intenção do emissor. Um pensamento de amor, compaixão e desejo de cura produz fluidos balsâmicos que restauram a saúde; um pensamento de ódio, inveja ou maldade produz fluidos deletérios que podem causar mal-estar e doença.

Essa explicação é fundamental para compreender por que o estado moral do passista é tão importante na prática do passe espiritual. O magnetismo transmitido carrega as qualidades do pensamento e do sentimento de quem o emite, e por isso a preparação moral e espiritual do passista é indispensável.

O Magnetismo e o Passe Espiritual

O passe espiritual, praticado amplamente nos centros espíritas, é a aplicação prática do magnetismo. O passista, por meio da imposição de mãos e da concentração mental, direciona fluidos vitais e espirituais ao paciente, promovendo o reequilíbrio de seus centros de força (chakras) e a restauração da harmonia em seu perispírito e duplo etérico.

O mecanismo do passe envolve a transmissão de fluidos por três vias principais: os fluidos do próprio passista (magnetismo humano), os fluidos fornecidos pelos espíritos benfeitores que o assistem (magnetismo espiritual) e os fluidos captados do meio ambiente. O passista funciona como um intermediário, canalizando e direcionando essas energias de acordo com as necessidades do paciente.

A eficácia do passe depende de diversos fatores: a qualidade moral e a condição espiritual do passista, a receptividade e a fé do paciente, a assistência dos espíritos protetores e as condições do ambiente. A prece que precede e acompanha o passe é essencial para estabelecer a sintonia necessária com os bons espíritos.

Magnetismo e Mediunidade

O magnetismo está intimamente relacionado à mediunidade, embora não se confunda com ela. Todo ser humano possui capacidade magnética, mas nem todo ser humano é médium no sentido técnico do termo. A mediunidade envolve a capacidade de intermediar a comunicação espiritual entre encarnados e desencarnados, enquanto o magnetismo se refere à capacidade de transmitir energia vital.

Contudo, muitos fenômenos mediúnicos envolvem o magnetismo como componente. A incorporação, por exemplo, requer que o espírito comunicante se ligue ao perispírito do médium por meio de uma conexão fluídica que envolve magnetismo. O ectoplasma, utilizado nas materializações, é extraído do organismo do médium por processos que envolvem a manipulação magnética dos fluidos vitais.

Magnetismo e Saúde

A aplicação terapêutica do magnetismo é um dos aspectos mais práticos e relevantes desse conceito. A Doutrina Espírita ensina que muitas doenças têm componentes espirituais — desequilíbrios no perispírito, influências de espíritos perturbadores, consequências de atitudes morais inadequadas — e que o magnetismo pode auxiliar na restauração do equilíbrio.

A cura espiritual por meio do magnetismo não substitui o tratamento médico convencional. Kardec sempre enfatizou a complementaridade entre os tratamentos espiritual e material. O passe e a irradiação atuam sobre as causas espirituais do desequilíbrio, enquanto a medicina atua sobre as causas orgânicas. Ambos os tratamentos são legítimos e necessários.

André Luiz, nas obras psicografadas por Chico Xavier, descreve detalhadamente as operações magnéticas realizadas pelos espíritos benfeitores durante os passes e tratamentos espirituais. Em Os Mensageiros e Nos Domínios da Mediunidade, ele mostra como os espíritos manipulam os fluidos com precisão, direcionando-os para os centros de força e órgãos do paciente que necessitam de reequilíbrio.

Termos Relacionados