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Levitação

Entenda a levitação no Espiritismo: o fenômeno mediúnico de elevação de objetos e corpos, como ocorre, registros históricos e a explicação de Kardec.

A levitação é um fenômeno mediúnico de efeitos físicos que consiste na elevação de objetos ou de corpos humanos sem o emprego de qualquer força mecânica visível, desafiando aparentemente a lei da gravidade. No contexto da Doutrina Espírita, a levitação é explicada como resultado da ação dos espíritos sobre a matéria, por meio da manipulação dos fluidos espirituais e do ectoplasma fornecido pelo médium. Allan Kardec estudou esse fenômeno em O Livro dos Médiuns e em A Gênese, oferecendo uma explicação racional que o integra ao conjunto dos fenômenos mediúnicos.

Definição e Classificação

A levitação pode ser classificada em duas categorias principais:

Levitação de objetos: consiste na elevação ou movimentação de mesas, cadeiras, ou quaisquer outros objetos sem contato físico aparente. Esse tipo de levitação foi amplamente observado nas mesas girantes que deram origem aos estudos de Kardec e constitui uma das primeiras manifestações de efeitos físicos documentadas sistematicamente na história do Espiritismo.

Levitação de pessoas: fenômeno mais raro e impressionante, no qual o corpo do médium ou de outra pessoa se eleva do solo sem nenhum apoio mecânico. Esse tipo de levitação foi relatado em diferentes épocas e culturas, tanto no contexto espírita quanto em tradições religiosas e místicas.

Ambas as formas de levitação pertencem à categoria dos fenômenos mediúnicos de efeitos físicos, que incluem também a materialização, o fenômeno de transporte, a tiptologia e a pneumatografia.

Mecanismo Segundo Kardec

Kardec explica a levitação em O Livro dos Médiuns e, de forma mais aprofundada, em A Gênese. O mecanismo envolve a ação dos espíritos sobre os fluidos, especialmente o fluido vital e o ectoplasma exteriorizado pelo médium.

O processo pode ser descrito nas seguintes etapas: os espíritos operadores extraem do médium e dos participantes da sessão uma quantidade de fluido vital e ectoplasma, combinando-os com fluidos espirituais. Com essa substância, criam um campo de força capaz de neutralizar a ação da gravidade sobre o objeto ou corpo a ser levitado. A sustentação do objeto no ar é mantida enquanto durar a ação dos espíritos sobre os fluidos.

Kardec compara o fenômeno à ação de uma alavanca invisível: os espíritos utilizam o perispírito e os fluidos como ferramentas para exercer força sobre a matéria. Ele enfatiza que não se trata de uma suspensão da lei da gravidade, mas da aplicação de uma força contrária que a compensa, assim como um balão flutua no ar não porque a gravidade deixou de agir, mas porque uma força ascensional a supera.

Contexto Histórico: As Mesas Girantes

A levitação de mesas ocupa um lugar especial na história do Espiritismo. Na década de 1850, um fenômeno que ficou conhecido como “mesas girantes” ou “mesas falantes” varreu a Europa e os Estados Unidos. Mesas pesadas se moviam, giravam, inclinavam e até se erguiam completamente do chão durante sessões em que os participantes repousavam suas mãos sobre elas.

Foi justamente a observação dessas manifestações que despertou o interesse de Hippolyte Léon Denizard Rivail — que adotaria o pseudônimo de Allan Kardec — para os fenômenos espirituais. Kardec não se contentou em constatar os fatos; procurou compreender suas causas, questionando sistematicamente os espíritos e desenvolvendo a teoria que explicaria não apenas a levitação, mas todo o espectro dos fenômenos mediúnicos.

As mesas girantes demonstraram que o fenômeno da levitação não dependia de um médium específico, mas podia ocorrer com a participação de diversas pessoas, cada uma contribuindo com sua cota de fluido vital. Essa observação foi fundamental para a compreensão do papel coletivo na produção dos fenômenos de efeitos físicos.

Registros Históricos de Levitação

Ao longo da história, diversos casos de levitação foram documentados:

Daniel Dunglas Home: considerado um dos médiuns de efeitos físicos mais notáveis do século XIX, Home protagonizou episódios impressionantes de levitação pessoal. Em dezembro de 1868, diante de testemunhas, ele teria flutuado para fora de uma janela de um terceiro andar e entrado por outra janela adjacente. O caso foi investigado pelo cientista William Crookes, que concluiu pela autenticidade do fenômeno.

Eusapia Palladino: a médium italiana foi submetida a diversas investigações científicas na Europa, e durante algumas sessões, observou-se a levitação de objetos e até mesmo a elevação parcial da própria médium. Os resultados foram controversos, mas vários pesquisadores consideraram que parte dos fenômenos era genuína.

Na tradição religiosa: levitações foram atribuídas a santos e místicos de diversas religiões, como São José de Cupertino, frade franciscano do século XVII, cujas levitações durante êxtases religiosos foram documentadas por testemunhas contemporâneas e pela Igreja Católica.

Condições Necessárias

A produção do fenômeno de levitação requer condições específicas:

Médium de efeitos físicos: é necessária a presença de pelo menos um médium com aptidão para a exteriorização de ectoplasma. Essa modalidade de mediunidade é relativamente rara e depende de uma constituição orgânica e perispiritual particular.

Espíritos operadores: a levitação exige a participação ativa de espíritos com conhecimento técnico sobre a manipulação dos fluidos e das forças naturais. Esses espíritos atuam como operadores, coordenando a extração e a aplicação dos fluidos necessários.

Ambiente controlado: a levitação, como outros fenômenos de efeitos físicos, é sensível às condições ambientais. A iluminação reduzida é frequentemente necessária para preservar o ectoplasma, que é sensível à luz intensa. A harmonia emocional dos participantes contribui para o equilíbrio fluídico indispensável.

Energia suficiente: o fenômeno consome grandes quantidades de energia vital, tanto do médium quanto dos participantes. Sessões prolongadas ou repetidas podem provocar esgotamento no médium, razão pela qual a prudência e os intervalos adequados são recomendados.

A Levitação na Obra de André Luiz

André Luiz, nas obras psicografadas por Chico Xavier, descreve em Nos Domínios da Mediunidade e em Missionários da Luz os mecanismos empregados pelos espíritos para produzir fenômenos de efeitos físicos, incluindo a levitação. Ele oferece a perspectiva do observador espiritual, descrevendo como os espíritos operadores manipulam os fluidos e o ectoplasma com precisão técnica.

Em Missionários da Luz, André Luiz narra uma sessão de efeitos físicos na qual diversos fenômenos são produzidos, incluindo movimentação de objetos. Ele descreve os espíritos operadores trabalhando com concentração e método, extraindo cuidadosamente o ectoplasma do duplo etérico do médium e combinando-o com fluidos espirituais para obter a consistência necessária.

Relevância Doutrinária

A levitação possui importância doutrinária significativa por demonstrar concretamente a capacidade dos espíritos de agir sobre a matéria. Essa demonstração é fundamental para a compreensão de fenômenos como a cura espiritual, a irradiação e outros processos em que o mundo espiritual atua sobre o mundo físico.

Kardec enfatiza que o estudo da levitação e dos demais fenômenos de efeitos físicos deve ser conduzido com método e discernimento, pois a possibilidade de fraude é real. A história da pesquisa psíquica registra numerosos casos de charlatanismo que prejudicaram a credibilidade dos fenômenos genuínos. O espírita deve manter sempre o equilíbrio entre a abertura ao extraordinário e o rigor da análise crítica.

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